Em 2018, a palavra sustentabilidade deixou de ser apenas um conceito e passou a fazer sentido na prática para Simone Duarte. Ao entender que sustentabilidade envolve o equilíbrio entre o social, o econômico e o ambiental, ficou evidente que, até então, sua trajetória estava conectada a dois desses pilares (social e econômico) e que havia um terceiro campo a ser explorado.
Esse entendimento não ficou apenas no plano das ideias. Ela provocou uma mudança de olhar de si mesma e seus comportamentos rotineiros de descarte de resíduos começaram a ser questionados, dando início a uma busca mais estruturada por conhecimento.
O primeiro passo foi um curso de aprofundamento em gerenciamento de resíduos sólidos. Depois, tornou-se consultora no Instituto Lixo Zero, sempre ampliando a compreensão sobre práticas sustentáveis. Mas, com o tempo, ficou claro que só a teoria não bastava e era preciso testar, ajustar e entender como tudo isso funcionava na prática.
Foi esse movimento que a levou, em 2021, à criação da Gaia Soluções Sustentáveis. Mais do que uma iniciativa, a proposta já nascia com um direcionamento claro: transformar conhecimento em ação, a partir de experiências reais e possíveis.
O primeiro experimento aconteceu em um terreno cedido dentro de um condomínio, ali foi implantado um pátio de compostagem que envolvia desde a coleta de resíduos até ações de conscientização ambiental. Para muitas pessoas, aquele era o primeiro contato com temas como separação de resíduos e reaproveitamento da matéria orgânica.
Foi nesse momento que essas ações começaram a mostrar o que a teoria não alcança. Ajustes foram necessários, caminhos precisaram ser redesenhados e, principalmente, ficou evidente que qualquer solução só funciona quando considera o comportamento das pessoas e as particularidades de cada contexto.
A experiência inicial abriu caminho para um novo passo: a criação do projeto “Pátio do Conhecimento”, estruturado como um programa de educação ambiental. A proposta avançava no mesmo sentido: aproximar teoria e prática, mas agora com mais clareza sobre os desafios reais do processo.
Dentro desse projeto piloto do Pátio do Conhecimento desenvolvido de forma voluntária em parceria com a Escola Municipal Ataliba de Macedo Soares o aprendizado se aprofundou. A gestão de resíduos deixou de ser um tema isolado e passou a ser compreendida como um processo coletivo. Alunos, professores, equipes de apoio e toda a comunidade escolar passaram a fazer parte da dinâmica. Questões como logística de coleta, organização dos materiais, uso adequado da matéria seca e rotina de separação foram sendo construídas no dia a dia.
O resultado da coleta seletiva dos resíduos orgânicos da escola foi cerca de 1 tonelada e 600 quilos de resíduos que foram destinados à compostagem, contribuindo para a redução da emissão de gases associados ao descarte inadequado. Como resultado, aproximadamente 500 quilos de adubo foram gerados, mostrando, na prática, o potencial de transformação dos resíduos orgânicos.
Os números ajudam a dimensionar o impacto, mas o principal resultado está no processo. Entender que entre 40% e 60% dos resíduos produzidos são orgânicos muda a forma como se enxerga o descarte e abre espaço para novas possibilidades de reaproveitamento.
Essa trajetória mostra que sustentabilidade não acontece de forma imediata. Ela é construída aos poucos, com ajustes, aprendizados e evolução contínua. É um caminho que exige prática, adaptação e envolvimento coletivo.
É exatamente esse tipo de experiência que inspira iniciativas como o Maricá Sustentável. Ao levar a educação ambiental para dentro das escolas e conectar teoria e prática desde cedo, o projeto amplia o alcance desse movimento e fortalece a construção de uma cidade mais consciente. Porque transformar começa assim: entendendo, testando, ajustando e seguindo em frente.
É por isso que estamos, todos os dias, rumo à sustentabilidade.